CAMADAS
O corpo entre o vestuário e a arquitetura.
Um ensaio sobre pressão, memória e tudo aquilo que a pele guarda antes de apagar.
O PROJETO
A pele como superfície de memória.
Camadas investiga as relações entre corpo, vestuário, arquitetura e fotografia. Objetos cotidianos deixam de ser acessórios para agir diretamente sobre a pele — primeiro como presença, depois como ausência.
GABRIELA OSTE
DÍPTICOS
CRISTINA DULIANEL
2026
LINHA DO TEMPO
Da pergunta
ao vestígio.
- 01
PERGUNTA INICIAL
Onde termina o corpo e começam as camadas que o envolvem?
A pesquisa nasce do corpo como território de mediação: pele, roupa e casa são superfícies que se atravessam.

- 02
REFERENCIAL
Primeira pele, segunda pele, terceira pele.
A teoria das cinco peles de Hundertwasser estrutura o percurso, junto ao corpo vivido de Merleau-Ponty e à dimensão tátil de Pallasmaa.

- 03
SELEÇÃO
Objetos reconhecíveis pelo desenho que deixam.
Chaves, cadeados, prendedores, talheres, fios, cintos, colares, pulseiras, correntes e zíperes foram testados por sua força simbólica e legibilidade.

- 04
EXPERIMENTAÇÃO
Pressionar, retirar, observar.
Os testes definiram intensidade, duração e enquadramento. A luz natural revelou melhor a textura e a transitoriedade dos vestígios.

- 05
DESCOBERTA
O díptico tornou visível a causa e a consequência.
A solução veio em dois atos: o objeto em contato com o corpo e, em seguida, a marca que permanece após sua retirada.

- 06
CAPTURA
Entre 30 segundos e 2 minutos.
Esse era, em geral, o intervalo entre retirar o objeto e fotografar. O rosto foi suprimido para deslocar a identidade ao gesto, à matéria e à experiência.

- 07
MONTAGEM
A fotografia fixa aquilo que o corpo logo apaga.
A série foi organizada em sequência linear, com os pares lado a lado e impressão em papel fotográfico fosco.

INVESTIGAÇÃO
O trabalho mudou enquanto era feito.
A investigação não partiu de uma imagem final pronta. Seguindo a poética visual de Sandra Rey, teoria e prática avançaram juntas: cada sessão devolvia novas perguntas ao texto e cada leitura alterava a maneira de fotografar.
O caderno não documentou apenas respostas. Ele guardou hipóteses, falhas e decisões que fizeram a obra tomar forma.




Objeto como agente
Não bastava representar memória. O objeto precisava agir fisicamente e produzir uma alteração real, ainda que temporária.
O outro como condição
O trabalho em dupla tornou o olhar compartilhado parte do método: pose, pressão e instante da captura eram negociados em cada ensaio.
Erro como seleção
Marcas ilegíveis, tempos excessivos e enquadramentos explicativos demais foram descartados. O que falhou ajudou a definir o sistema.
SÉRIE
Objeto.
Marca.
Memória.




CAMADAS — O CORPO ENTRE O VESTUÁRIO E A ARQUITETURA · FERNANDA PETROLI DA SILVA & GABRIELA OSTE DOS SANTOS LULA · 2026
EXPOSIÇÃO
Quando o vestígio
ocupa a parede.
A passagem da tela para a galeria trouxe uma nova escala ao projeto. As fotografias foram impressas em papel fosco, montadas em molduras de madeira sem vidro e alinhadas em uma sequência contínua. Sem o reflexo de uma superfície protetora, a matéria da imagem permaneceu próxima da matéria do corpo.





A obra voltou ao corpo através do público.
Na abertura, a leitura deixou de ser apenas íntima. A proximidade das imagens fez os visitantes reconhecerem sensações, objetos e marcas de suas próprias experiências. A conversa diante das obras ampliou a pesquisa para além das autoras.
