01 / PESQUISA VISUAL + FOTOGRAFIATCC · 2026

CAMADAS

O corpo entre o vestuário e a arquitetura.

Um ensaio sobre pressão, memória e tudo aquilo que a pele guarda antes de apagar.
Objeto sobre as mãos e o vestígio deixado na pele

O PROJETO

A pele como superfície de memória.

Camadas investiga as relações entre corpo, vestuário, arquitetura e fotografia. Objetos cotidianos deixam de ser acessórios para agir diretamente sobre a pele — primeiro como presença, depois como ausência.

AUTORASFERNANDA PETROLI
GABRIELA OSTE
LINGUAGEMFOTOGRAFIA
DÍPTICOS
ORIENTAÇÃOME. ANDREIA
CRISTINA DULIANEL
INSTITUIÇÃOPUC-CAMPINAS
2026

LINHA DO TEMPO

Da pergunta
ao vestígio.

  1. 01

    PERGUNTA INICIAL

    Onde termina o corpo e começam as camadas que o envolvem?

    A pesquisa nasce do corpo como território de mediação: pele, roupa e casa são superfícies que se atravessam.

    Objeto no colo e marca na pele
  2. 02

    REFERENCIAL

    Primeira pele, segunda pele, terceira pele.

    A teoria das cinco peles de Hundertwasser estrutura o percurso, junto ao corpo vivido de Merleau-Ponty e à dimensão tátil de Pallasmaa.

    Objeto na lateral do corpo e sua marca
  3. 03

    SELEÇÃO

    Objetos reconhecíveis pelo desenho que deixam.

    Chaves, cadeados, prendedores, talheres, fios, cintos, colares, pulseiras, correntes e zíperes foram testados por sua força simbólica e legibilidade.

    Talheres no abdômen e marcas resultantes
  4. 04

    EXPERIMENTAÇÃO

    Pressionar, retirar, observar.

    Os testes definiram intensidade, duração e enquadramento. A luz natural revelou melhor a textura e a transitoriedade dos vestígios.

    Corrente sobre as mãos
  5. 05

    DESCOBERTA

    O díptico tornou visível a causa e a consequência.

    A solução veio em dois atos: o objeto em contato com o corpo e, em seguida, a marca que permanece após sua retirada.

    Corrente sobre as mãos e marcas na pele
  6. 06

    CAPTURA

    Entre 30 segundos e 2 minutos.

    Esse era, em geral, o intervalo entre retirar o objeto e fotografar. O rosto foi suprimido para deslocar a identidade ao gesto, à matéria e à experiência.

    Terço sobre as mãos e vestígios
  7. 07

    MONTAGEM

    A fotografia fixa aquilo que o corpo logo apaga.

    A série foi organizada em sequência linear, com os pares lado a lado e impressão em papel fotográfico fosco.

    Díptico final da série Camadas

INVESTIGAÇÃO

O trabalho mudou enquanto era feito.

A investigação não partiu de uma imagem final pronta. Seguindo a poética visual de Sandra Rey, teoria e prática avançaram juntas: cada sessão devolvia novas perguntas ao texto e cada leitura alterava a maneira de fotografar.

O caderno não documentou apenas respostas. Ele guardou hipóteses, falhas e decisões que fizeram a obra tomar forma.
Fernanda e Gabriela durante sessão fotográfica da pesquisa Camadas
CORPO E OLHAR — a presença de uma autora diante da câmera dependia da outra atrás dela.
Caderno de processo com anotações e esquemas da pesquisa
CADERNO DE PROCESSO — desenhos, sequências, objetos possíveis e modos de montagem.
Páginas do caderno de processo de Camadas
REVISÃO CONTÍNUA — o díptico surgiu dos testes, não como regra anterior à prática.
Bastidores do estúdio com câmera, luzes e modelo
DISPOSITIVO DE CAPTURA — testes de direção, distância e contraste até preservar a textura da pele.
01

Objeto como agente

Não bastava representar memória. O objeto precisava agir fisicamente e produzir uma alteração real, ainda que temporária.

02

O outro como condição

O trabalho em dupla tornou o olhar compartilhado parte do método: pose, pressão e instante da captura eram negociados em cada ensaio.

03

Erro como seleção

Marcas ilegíveis, tempos excessivos e enquadramentos explicativos demais foram descartados. O que falhou ajudou a definir o sistema.

EXPOSIÇÃO

Quando o vestígio
ocupa a parede.

A passagem da tela para a galeria trouxe uma nova escala ao projeto. As fotografias foram impressas em papel fosco, montadas em molduras de madeira sem vidro e alinhadas em uma sequência contínua. Sem o reflexo de uma superfície protetora, a matéria da imagem permaneceu próxima da matéria do corpo.

Vista geral da série Camadas instalada na Galeria FAV
A sequência foi pensada para que o visitante percebesse variações de pressão, objeto e duração antes de ler a ficha da obra.
Preparação de uma fotografia de Camadas em moldura de madeira
PRODUÇÃO — escolha da madeira e preparação das molduras.
Fotografia da série Camadas instalada na parede
MATÉRIA — papel fosco e madeira mantêm a imagem sem distância.
Detalhe de obra da série Camadas na exposição
ESCALA — cada corpo aparece maior que o gesto que o originou.
Público reunido na abertura da exposição Entrementes
ABERTURA E MEDIAÇÃO

A obra voltou ao corpo através do público.

Na abertura, a leitura deixou de ser apenas íntima. A proximidade das imagens fez os visitantes reconhecerem sensações, objetos e marcas de suas próprias experiências. A conversa diante das obras ampliou a pesquisa para além das autoras.

Fernanda Petroli e Gabriela Oste diante da instalação Camadas
Obra Camadas em detalhe Ficha da obra Camadas na exposição Fernanda diante da série Camadas
PRÓXIMO CASEVESTA